segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Segunda pérola franciscana



Segunda pérola franciscana: a fé

"Peça constantemente a Jesus para ter humildade, confiança e fé." (Padre Pio)


Na primeira reflexão das pérolas franciscanas tivemos o conhecimento da “caridade” em São Francisco, um dos grandes pilares da vida do santo. Agora vamos lançar o olhar sobre outro pilar: a sua fé em Deus, na qual gerou confiança e entrega a Deus de sua vida. Sua visão era: olhar aqui na terra e olhar voltado para o céu. Diante da correria diária neste mundo atual, contra o tempo e as atividades em vários lugares, convido você “educador franciscano” a vivenciar em seu cotidiano a FÉ.
         São Francisco buscou em todo momento acreditar em Deus, tinha uma fé inabalável. Para ele existe um grande valor: a humilde presença de Deus, deixada nas mãos dos homens (cf. CtOrd 27-28; CtCler 8). Sua fé é o exemplo de vida pessoal, vida do evangelho, na qual Jesus se tornou presente, “o Verbo se fez carne” (Jo 1,14), isto passa ser para o santo sua regra de vida. O Evangelho passou a ser não mais um texto monótono e repetitivo, e, sim, "Espírito e Vida" (1CtFi, II, 32). O encontro com a Cruz de São Damião o trouxe a certeza de que Deus conduzia tudo e se encarna no sofrimento do mundo. Sua fé em Jesus o fez muitas pessoas seguirem seu modo de vida. Sua fé radical em viver a pobreza, estar sobre a obediência de Cristo levou a curar pessoas e levar a Paz no coração delas. Sua afeição e seu rosto transmitiam a Paz, que o tornava um homem de fé e de bem. Sua fé era a sua espiritualidade, sua confiança em Deus, na divina providência, levando a escapar de vários perigos. Como exemplo, temos o encontro com o lobo, que a fez acalmar e transformar em um ser amável[1].
         O educador franciscano é convidado a encontrar esta paz em seu trabalho, ela vem de Deus e buscá-la é ter em seu coração a segurança da vida. Não se deve viver na educação com espírito de lamentação, negativismo, reclamar de tudo, pois o educador acaba construindo em seu ambiente educativo a insegurança, vai dando margens aos educandos perceberam que o professor está descontente e a aula vai ficando chata. Fé e confiança em Deus geram paz e certeza nas ocasiões, fé é a certeza daquilo que não se vê. Reclamar: “Ai muito trabalho, nossa não tenho tempo, etc...” é ir contra a proposta da espiritualidade franciscana, mas a santa alegria no louvor em cada atividade preparada gera ao coração do educando a certeza e gosto pela atividade. E quem sempre reclama, traz a si o demônio do desanimo e fracasso. Contra isso temos o espírito de fé na força de Deus, o Espírito de Cristo. O semblante do professor envolve o aluno, que encontra segurança nele. O confronto sempre pode abalar, mas sua Paz acaba com a confusão, a amizade necessária trará uma educação forte. Temos que ter atitude de Francisco, exorcizar com o louvor: “Bem-aventurados os que as sustentam em paz, Que por ti, Altíssimo, serão coroados”.
        
"Peça constantemente a Jesus para ter humildade, confiança e fé."

São Francisco acreditou em Deus, tinha fé, sabia distinguir a presença de Cristo nos seus irmãos, nos sacerdotes, ele disse: "Nem quero olhar para o pecado deles, porque neles reconheço o Filho de Deus, e eles são os meus senhores" (Test 3,9). No mundo secular hoje, em que conceituamos nossa religiosidade, vivendo de livros auto-ajuda, não encontramos a fé necessária para a vida. Vivemos de situações supersticiosas. O educador franciscano é convidado a trabalhar num colégio chamado a Vida, a Vida de fé, em crer na presença de um SER não só sagrado, mas vivente e atuante na história. Somos educadores que correspondem às crianças como modelos de fé, com certeza de uma vida feliz e de bem! São Padre Pio e Santa Clara irradiava a presença de Deus, seus frutos são a fé na presença e no amor de Deus. Como Francisco o amor a Deus levou a certeza da fé, e isso é critério de verdade, verdade educativa que todo professor tem que ter, cultivado pela oração ao Deus da paz, e no seu ensinamento doe evangelho da Paz, pelo testemunho de vida pessoal. Força e coragem! Siga em frente, e Deus estará contigo!

Pergunta: Você tem fé? E como você aplica isso?


[1] Cf. Escritos e biografia de São Francisco de Assis. Ed. Vozes, RJ.

Primeira pérola franciscana



Uma Pérola Franciscana

 

"Experimente fazer tudo com amor, com muito amor, com todo amor." Padre Pio

Caro educador franciscano,        

Quero deixar uma palavra que possa aumentar seu potencial franciscano na educação das crianças e dos jovens. Apresento-lhe uma preciosa pérola franciscana que é a caridade, ou melhor, o amor franciscano, cuja fonte deste amor é Deus.
Não importa sua crença, mas hoje o importante para o educador é ter olhos espirituais para ver além da realidade, e perceber em seus educandos uma vida que precisa de atenção especial. Somos cobrados pelos conteúdos, pelas propostas e regras educativas em ser educador e formar as pessoas para serem bons adultos. Mas nos esquecemos de que todo adulto vive de uma alma feliz e amada.
O professor franciscano tem uma visão diferente do professor comum, ele tem olhos na caridade ensinada por São Francisco de Assis. Em seu manuscrito o santo disse: “Se falarem as línguas dos homens e dos anjos, mas não derem exemplos de caridade, para mim valem pouco, e para si mesmos não valem nada. Mas, onde o que repreende não é temido e o capricho substituiu a razão, será que os selos da autoridade vão ser suficientes para salvar? Mas devemos fazer o que mandam, para que a água chegue ao canteiro por um canal vazio. Vamos colher por enquanto a rosa no meio dos espinhos, para que o maior sirva ao menor[1]”.
         A caridade pode transformar a visão do educando; se você consegue ver o aluno com a visão positiva, você conseguirá construir um bom edifício. Dizia Bom Bosco que todo educando tem uma corda dentro do coração a qual pode tocar para o bem, só basta o educador descobrir e tocá-la; assim, pois, encontrará um bom som. Dentro das crianças existem almas que gostam do bem, e só o amor, a bondade, o carinho, vai conquistar a face bela do educando. Não veja a violência que ele o trata, não veja a visão má de sua postura, mas descubra o tesouro que está em si. Veja, Deus é a fonte de amor, e Ele ensina que devemos amar o próximo como a nós mesmos. Como exemplo, temos a passagem de Tobias, que foi conduzido pelo anjo a amar Sara, porém esta era vista pelas pessoas como uma endemoniada, que matava os seus maridos. Mas Deus não viu assim, viu seu coração: uma mulher religiosa, prudente, corajosa, de grande formosura, bela e de uma família de bem (Tb 6,12).

“Experimente fazer tudo com amor, com muito amor, com todo amor”.

Vamos aprender a ter carinho com nossos educandos, a descobrir o lado bom dos alunos e fazer deles grandes homens de bem neste mundo cheio de violência. Creia e aplique a caridade franciscana que ensina: “É dando que se recebe...” É tratando com amor que você colherá amor. Portanto, nunca diga que ele não tem mais jeito. Diga sempre: eu vou conseguir com o Amor acabar com a violência dele, pois toda criança ao manifestar violência clama por um carinho e deseja ser amada com dignidade. Quem não quer uma dose de amor para ser feliz?
Que a luz divina o ilumine em seu trabalho e que você colha bons frutos, linda rosas em um jardim de espinhos.

Pergunta: Você costuma fazer todas as suas atividades com amor? Como posso melhorar?


[1] Cf. Escritos e biografia de São Francisco de Assis, pg. 410. Ed. Vozes, RJ.

Conto - Surto da Razão



Surto da Razão

- Sala gélida!
Era meia noite, quando os ventos intensificaram suas forças. Escutava as portas baterem com raiva. Parecia violência de pessoas malvadas. Não dava para nem mesmo perceber um simples pensamento. Era uma orquestra desafinada e desorganizada. Som e ruídos trêmulos. De repente, a luz apagou sua principal atividade. Não deu para ver mais nada a não ser uma escuridão de morte, sem fim, que gera na alma uma imensa angústia que tinha presente alguém na sala. Não dava para perceber se tinha ruídos de passos, nem firmes e nem suaves. O vento aumentou sua voz. A temperatura externa parecia cair como num abismo sem fim. A pele se torna cada vez mais lutadora e guerreira para aquecer o corpo. Dentro de si, o calor do medo, dos sentimentos liberados pelo córtex, forma intensos movimentos incontroláveis. A consciência não apita mais neste momento. O instinto humano, como um sinaleiro de perigo, avisa que uma ação deve ser produzida. Bater ou correr? Enfim, uma atitude. Sentida a cegueira, o corpo foi descobrindo o ambiente, o tato começou aguçar suas formas. A direção era difícil de descrever, mas a aproximação de algo veio acontecer. A primeira descoberta. Por incrível que pareça, os dedos trêmulos tocaram a superfície fixa, inata, e em tom de segurança, forçou-se uma atitude de rastrear os lados. Assim com um tocar os dedos passo a passo, foi-se descobrindo cada pedaço daquela textura agora estranha aos olhos de quem todos os dias atravessavam aquela sala, ora para o trabalho, ora para o estudo, ora para dizer algo, ora para simplesmente descansar. Tudo parecia novo. Nem parece que viveu tanto tempo ali, naquele simples local. Já não se ouvia mais os ventos, tudo estava calmo. Isto gerou um pequeno sinal da consciência, agora os sentidos pareciam estar atentos às descobertas. Era possível fazer o primeiro julgamento. Não existe nada! Sua postura gera segurança que tudo estava sobe controle. Qual o homem que não tem o controle da situação? Mas um som alarmante ressoou sobre aquele momento, que novamente veio o cala frio. Um vulto do estômago cresceu em direção a cabeça, que parecia estar descendo uma montanha russa em alta velocidade. Era novamente a velha porta precisando de óleo. Nestas horas os exercícios do dia a dia aparecem como que culpando sua consciência de trazer aquele momento a dor e a angústia. E o segundo julgamento aparece, deveria ter feito isto. O sentimento de culta surge, e o verbo dito no passado culpa o presente e manda no futuro seu parecer! Coisas que só a memória esquece. Diante daquela indecisão, os movimentos corporais estão parados, estáticos. É preciso retomar o objetivo maior, sair daquela situação o mais rápido possível, eis a pequena decisão. O terceiro julgamento, a resolução. Seguindo o fluxo do corpo, os movimentos vão à direção de um horizonte próximo. Os sentidos agora aguçados com o ambiente descobrem mais uma coisa, a janela. Que descoberta! Agora é possível descrever todo ambiente da sala. A lembrança dos momentos felícitos vem à tona.  Também aparecem as dores e as falas que feriram o coração. Tudo agora está descoberto. O terceiro julgamento é explícito, o rumo será o interruptor. Neste instante é possível planejar, fazer cálculos, descrever atitudes e rumos a serem seguidos, metas alcançáveis e objetivos a serem cumpridos. Em uma atitude de rapidez tudo se tornou claro, decisivo, o tempo agora é o relógio para sair daquela situação. Com velocidade, maior que as portas velhas batendo, maior do que o vento vindo da janela, o ser mais racional que existe movimenta como numa dança rústica e rápida, abrindo o espaço escuro, cruzando o mundo com domínio do ar, e por um segundo descreve seu nome na situação. Ao mesmo tempo em que o domínio aconteceu algo novo tomou o ambiente. De repente aquela mesma luz ativou sua luminosidade. Átomos tocaram a pupila, as cores são transmitidas de novo, trazendo a segura visão que nada mudou. Tudo continua o mesmo, as vidas, as coisas, não mudaram nada sua rotina. Neste exato momento, o ultimo julgamento, este agora é decisivo para toda aquela experiência quase inexplicável. Foi um Black Out. Como um ser tão racional, que historicamente evoluiu não soube ao mesmo descrever esta simples ação rotineira dos inícios das tempestades urbanas. Tudo mostra que cada experiência é única, e particular. Só o momento presente, com o emocional equilibrado pode dar a consciência sua verdadeira memória. Deste modo, a razão só se encontra com a emoção, quando a situação ultrapassa a criação!

Conto - Um conto de fado



Um conto de fado...

Um vento gelado veio da janela. Veio trazendo um tipo de sensação divina. O sopro trouxe alguém que entrou no ambiente.
- Quem está ai? Nasceu a pergunta cheia de medo que o ser estranho escutasse.
- Será um sonho? Acho que não? Está frio.... frio na barriga...
Tudo estava estranho. Mas de repente algo não desejado surgiu... uma voz doce e encantadora, mas que nesta situação foi um sentimento que não se podia explicar. As pernas ficaram moles... mas com voz tremula saiu algumas palavras:
- Oi, o que você quer?
- Não tenha medo, não tenha medo de seu próprio sonho!
- Não tenho, mas a sensação é estranha, se é real ou não?
- Sim é real, enquanto acontece! É eterno enquanto dura.
Naquele instante tudo começava ficar mais calmo, e aquela sensação difícil de ser explicada, passou a ser mais clara e já dava mais segurança naquele momento oportuno. Era verão, mas o ambiente parecia um começo de inverno. Logo vieram os primeiros raios de sol. O dia já nascera. Algo diferente dominava e fazia diferença no coração. A sensação já não estava à mesma, mas tudo se tornara belo.
Menino de vida simples, tudo que tinha era seu pequeno desejo em construir um novo futuro. Uma pessoa o apareceu e disse que daria tudo que precisava... seu sonho e futuro... foi dado uma oportunidade. Um anjo deu o certificado que era verdadeiro. O menino foi em direção à promessa e conquistou algo extraordinário em sua vida. Da noite para dia, uma simples decisão trouxe um novo jeito de viver. O que era simples passou a ser complexo, novas experiências o deixou sem palavras.
- Eu ponho todo meu coração. Toda a minha vida.
Aquela vida simples, pacata passa a ser cheia de conhecimentos, experiências, viagens, trabalhos com gente poderosa, cursos, empreendimentos, e sua postura passa a ser de outra pessoa. Tudo estava crescendo e dando certo. Mas a promessa tinha um preço. E este valor sem perceber estava ficando inafiançável.
Tudo parecia uma grande festa, um salão com gentes importantes da sociedade. Mas aquele menino recebeu roupas e presentes para ir a esta festa. Logo na festa percebeu que aquele não era seu lugar. Existia preconceitos entre as pessoas, não existia amor entre eles... Tudo era desejo por dinheiro e negócios. Desejos de coisas materiais. E aquele menino que amava a sabedoria, as coisas simples da vida, deparou com seu sonho diferenciado. As pessoas eram mais importantes para ele. Estar com as pessoas, a amizade, o carinho era mais importante, era seu tesouro. O preço da promessa começou a pesar, e ele percebeu algo estranho estava acontecendo consigo. Suas roupas e sua imagem estavam tornando-se difusas. Não era mais a mesma pessoa. Ele percebeu que foi traído pela promessa... o preço dela era se tornar como aquelas pessoas, igual as aparências, com os mesmos moldes. Mas ele resistiu e estava de outro modo, estava diferente. Aí ele percebeu que seu sonho não cabia naquele lugar.
- O que está acontecendo comigo? O que estão fazendo comigo?

Naquele instante, ele percebeu que foi traído por aquela jovem voz que ouvira doce e singela. Agora era falsa, e sua imagem não agradava a pessoa. Só queria tirar sua energia positiva, tirar sua alegria, tirar sua vida e depois utiliza-la como crescimento de si própria. Depois deste fato seu coração sentiu uma contração, duas contrações e percebeu que estava parando, e morrendo.
- O fim chegou! Fui traído, isto não é real. É um sonho!
Naquele instante o frio tomou posse de novo do seu corpo. A cortina da janela passava sobre seu rosto que suava frio. Levantou-se e lavou o rosto. E naquele estante ele percebeu algo diferente em seu rosto:
- Não é possível....? minhas mãos?!
Tudo havia mudado, e percebeu que tinha se passado alguns anos, e alguns meses. Isto foi real ou não? Não viu mais aquela moça no seu quarto, nem muito menos o sopro em seu rosto, tudo estava vazio. Naquele momento a única conclusão era sua dúvida.
- A vida é real, ou apenas um sonho?
Isto ele nunca pode provar, mas só sabia que estava mais velho e que poderia voltar a dormir de novo, porque o sol não havia nascido ainda!